Produzido no Ceará, capacete de respiração assistida reduz a necessidade de respiradores

Por Paulo Sergio 07/05/2020 - 15:08 hs

Batizado de Elmo, o modelo foi desenvolvido no Instituto Senai de Tecnologia em Eletrometalmecânica. Através dele, é realizada uma oxigenoterapia do paciente, que inala puro oxigênio e não re-inala o gás carbônico produzido, que também não será expelido no ambiente, evitando a contaminação dos demais.

Além de evitar a necessidade de internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), a produção do capacete é de baixo custo, o que a facilidade garante de produção em larga escala — cada unidade custa cerca de R$ 300, enquanto uma máquina de mecânica custa, em média, R$ 70 mil. O equipamento pode ser desinfectado e reutilizado e seguir um tipo adotado em países da Europa, que teve bons resultados, com redução da necessidade de aparelhos de ventilação mecânica em cerca de 60%.

"Os engenheiros, informáticos, médicos e projetistas que se reúnem durante cerca de um mês para conceber, especificam e desenvolvem protótipos do Elmo o fizeram dentro da mais absoluta qualidade, e seguem normas e o rigor que esse tipo de produto exige", destaca Vasco Furtado, diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Universidade de Fortaleza. Ele pontua que o impacto social do projeto é evidente, e espera que o resultado efetivo seja salvar vidas.

O Elmo prevê a utilização de um mecanismo de respiração artificial não invasivo, sem necessidade do paciente ser intubado, com maior segurança também para os profissionais de saúde. "Diferentes pessoas vão testar o Elmo para avaliar a ergonomia, mas é certo que se utilizado hoje o equipamento cumpriria com a finalidade de dar suporte ventilatório necessário", explica o engenheiro eletricista David Guaribara, especialista em engenharia clínica.

O próximo passo será submeter o capacete de respiração assistida a testes finais de usabilidade em voluntários, que devem acontecer em curto prazo. Em seguida, o modelo será avaliado pela Comissão de Ética e Pesquisa da Escola de Saúde Pública do Ceará Paulo Marcelo Martins Rodrigues (ESP/CE) para que possa ser testado em pacientes com insuficiência respiratória pelo Covid-19, internados no Hospital Leonardo da Vinci, em Fortaleza.

"Isso obviamente não aconteceu com essa velocidade apenas por causa da pandemia, mas fundamentalmente porque esse domínio científico e tecnológico estava presente", ressalta Rodrigo Porto, pró-reitor-adjunto de Pesquisa e Pós-Graduação da UFC.

"Fica como uma lição para a sociedade brasileira de que esse investimento nunca foi em vão, pelo contrário, nos deixa preparados para reagir em novas necessidades e demandas não só na saúde, mas em todas as áreas da sociedade", afirma.

A etapa final é necessária para iniciar a produção definitiva do equipamento. Enquanto isso, a equipe de desenvolvedores busca o registro do Elmo junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A produção do capacete envolve Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), Escola de Saúde Pública do Ceará e Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), além da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai/Ceará), e a Universidade Federal do Ceará (UFC) e Universidade de Fortaleza (Unifor).

Distribuídos em 162 municípios, os casos de Copia-19 no Ceará chegam a 12.644, além de 854 mortes. Os dados constam no boletim da manhã desta quinta-feira (7), da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa). A taxa de letalidade da doença está em 6,8%.

O governador Camilo Santana anunciou, na terça-feira (5), a prorrogação do decreto que estipulava o social no Estado por mais de 15 dias – até 20 de maio. Além disso, um segundo decreto passa a valer nesta sexta-feira (8) e estabelece o isolamento social rígido em Fortaleza.

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O prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, também participou do anúncio e informou que a capital terá um decreto específico com regras mais rígidas, principalmente quanto à circulação de pessoas e veículos pelos espaços públicos. O decreto de Fortaleza valerá a partir da próxima sexta-feira (8), para que haja a preparação para seu cumprimento.


As medidas anunciadas pelo prefeito foram as seguintes:

  1. Restrição à circulação de pessoas e veículos automotivos em vias públicas e espaços públicos. Haverá mais rigor com pessoas que integram os grupos de risco;
  2. Proibição, especialmente em comunidades, do funcionamento de qualquer atividade formal ou informal que não seja essencial e que venha a aglomerar pessoas;
  3. Novo conjunto de regras de funcionamento para as atividades consideradas essenciais. Supermercados, farmácias e demais estabelecimentos essenciais, entretanto, continuarão a operar normalmente;
  4. Controle na circulação do trânsito, na entrada e na saída de Fortaleza. As ações de fiscalização serão realizadas por órgãos municipais e estaduais tais como Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, AMC, Detran Guarda Municipal e Agefis;
  5. Obrigação do uso de máscaras, por vias e espaços públicos, inclusive dentro de carros, transporte público, etc.